O lagar dos frades, como é, ainda hoje, conhecido, está dentro de uma quinta murada, denominada de Cerca. Este murado apresenta uma altura que varia entre os 2,60 m e os 2,80 m, estando as pedras ligadas por uma argamassa de barro e cal (nas imediações desta propriedade ainda restam vestígios do antigo forno de cal parda) a que se acrescentava, para impermeabilizar o aparelho, barras de azeite.

Lagar dos Frades de Ataíja de Cima
Joaquim Vieira Natividade descreve-nos este edifício com o olhar de quem o viu em laboração: "Dentro de uma cerca, na vizinhança da Lagoa Ruiva, erguia-se a vasta edificação com ampla alpendrada, e em cujas paredes se abriam graciosamente, os nichos do pombal. Oito varas gigantescas, quatro de cada lado, peso contra peso ocupavam o primeiro compartimento (21.80 x 11.10 m).
Seguia-se-lhe a casa dos moinhos (35.5 x 9.5m) [ eram dois, os moinhos tocados a sangue por juntas de bois, com três galgas cada] com as tulhas para azeitona, numerosas mas de pequenas dimensões, em parte embebidas nas grossas paredes. Os estábulos ocupavam outro compartimento separado. Junto ao lagar, e voltada a nascente, levantava-se a residência do frade lagareiro, na fachada da qual ainda hoje se vêem as armas do Mosteiro, de curioso desenho. No rés-do-chão deste corpo guardava-se o azeite em grandes pias de pedra" (obras várias, vol. VI, pg. 70).
Deste imóvel apenas hoje resta a casa do monge lagareiro em acentuado estado de ruína e a cerca, cujo portal foi, parcialmente, derrubado há pouco tempo. A fachada posterior ainda mantém as "virgens" (esteios de pedra que guarnecem e amparam o "coice de vara"). Algumas galgas e um peso de vara abandonados no terreno, são os últimos testemunhos silenciosos do funcionamento desta unidade senhorial. A Lagoa Ruiva que fornecia a água para os trabalhos do lagar (escalda da massa de azeitona, etc.) foi entulhada e aloja o campo de futebol local.
Com o desaparecimento, a curto prazo, deste prédio rústico (embora já classificado, a ruína total é eminente), Alcobaça perde um documento único de leitura do seu passado e o mosteiro em particular, fica mais pobre.
Artigo de António Maduro, publicado no "Tinta Fresca" em Dezembro de 2000.
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